Vivemos durantes muito
tempo em um globo hipoteticamente dominado pelos homens, no qual a figura
feminina era tida como parte secundária. Não lhe era permitido usar calças ou
minissaia, sequer desfrutar dos delírios provocados por um bom orgasmo.
Chegamos ao século XXI.
O cenário está mudando, e o sexo feminino assume o protagonismo e ergue a
bandeira da igualdade, com pulso firme e voz vibrante. Trabalha fora, cuida da
casa, torna-se mãe e pai simultaneamente, dirige, faz topless e sexo, tudo com muito prazer. Em 1968, mulheres queimaram sutiãs
em protesto aos padrões de beleza da época, em 2006 ganharam a proteção contra
a violência doméstica, através da Lei Maria da Penha, em 2010 a Organização das
Nações Unidas (ONU), lançou “Os Princípios de Empoderamento das Mulheres” (Women Empowerment Principles – WEP).
Tudo em busca de liberdade, respeito e igualdade. Mas em 2015, em um estranho paradoxo ainda há
quem afirme que o homem trai por uma necessidade de sua raça, e se submete a
tamanha agressão emocional, porque isso é “coisa” de macho. Ou seja, o sexo
frágil, continua sendo assim porque vive preso a um universo onde o machismo
ainda é preponderante.
Frequentemente venho acompanhando algumas declarações
nas redes sociais, e fico estapafurdiamente perplexa com a maneira que as
pessoas expõem a vida pessoal. Li de uma
‘amiga’, que inconformada desabafou em sua timeline:
“Ele só lhe usa para se satisfazer, mas a mulher dele sou eu. É para mim que
ele volta”. O facebook virou um diário, para não dizer esgoto dos devaneios de
pessoas amarguradas, em busca de atenção, ou melhor, de curtidas.
É quase impossível acreditar
que em pleno séc. XXI ainda exista espantosa falta de amor próprio. A mulher
evoluiu para muitas coisas, mas ainda deixa de acreditar em si mesma. Perde
oportunidade de ser feliz, de se realizar, porque para não se sentir pior,
engana-se com a falsa ideia de que é amada. “Ele trai porque é homem, mas a
mulher que ele ama sou eu”.
A sociedade feminina
ainda não se despiu do véu machista. Ninguém escolhe ser traída, mas escolhe
CONTINUAR sendo traída. Por causa da ‘boa vida’, pelos filhos (embora eu nunca
tenha ouvido dizer que alguma criança morreu por causa da separação dos pais), por
medo de ficar só, ou quiçá por acreditar que ele tem outras, mas é para casa
que ele volta.
Ele vai voltar porque sabe
que você pode até brigar e ameaçar ir embora, mas logo vai entender a fraqueza
do homem. Porque sabe que sempre vai ter
alguém para lavar a roupa que ele sujou enquanto satisfazia as necessidades com
a outra.
A luta pelo empoderamento feminino não deve
está apenas na roupa que queremos vestir ou espaço que queremos ocupar, mas na
autoconfiança e amor próprio. Um homem não precisa sair pegando todas para
provar sua varonilidade e uma mulher não precisa de um homem que “saia” com
outras, mas que volta para casa. Se contentar com essa vã filosofia, é
sobreviver de migalhas.
*Amanda Oliveira é
jornalista.
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